domingo, 29 de julho de 2012

Playcenter fecha neste domingo (29); público cresceu 40%

Tradicional ponto de diversão paulistano deixa saudade após 39 anos de atividades
Gente como a auxiliar de enfermagem paulistana Patrícia Barreto, de 36 anos. No último sábado (28), quando o parque foi animado pelo som da banda e as evoluções das balizas da fanfarra da Escola Estadual Padre Chico, de Lagoinha, na Grande São Paulo, ela esteve no local, assim como a reportagem do R7. Patrícia foi ao parque com sua irmã, Aline Barreto, 17 anos, a afilhada, Beatryz Barreto, de 11, e o cunhado, Pedro Vinícius, de 18 anos. Reuniu a família para um dia de diversão com sabor de nostalgia.

— O Playcenter é a minha infância. Vim me despedi com minha irmã, o namorado dela e minha afilhada. Sempre amei vir aqui minha vida inteira. Lembro que adorava o Labamba, que já não existe, infelizmente. Ele sacudia e eu ria muito. Também nunca vou me esquecer da Montanha Encantada, do Teleférico e também do susto quando o Turbo Drop cai [o elevador que despenca de uma altura de 60 m, em funcionamento desde julho de 1997].

Patrícia lamenta o fechamento do parque, que tem fácil acessibilidade, por ficar perto do metrô Barra Funda.

— Estou muito triste, porque agora só vai ficar o Hopi Hari, que é muito longe [o parque fica em Vinhedo, próximo a Campinas. Sempre preferi o Playcenter porque dá para chegar de metrô e tem o ônibus que traz a gente de graça da estação até aqui. É uma pena ele fechar.

Sua irmã, Aline, fez coro e elogiou a diversidade presente no Playcenter.

— O Playcenter é o coração da juventude e da diversão de São Paulo. É uma pena ele fechar. É um lugar que tem gente de todo tipo e religião, que abriga as famílias inteiras.

Bozo, Michael Jackson e King Kong estiveram no Playcenter


Inaugurado em 27 de julho de 1973, com apenas 15 brinquedos, o Playcenter teve investimento inicial de US$ 6 milhões (cerca de R$ 12 milhões em valores atuais). Hoje, o valor do parque não é divulgado pelos donos, que alegam razão de estratégia de mercado.

O preço do ingresso na inauguração era por brinquedo. A entrada era Cr$ 2 adulto e Cr$ 1 criança. Ainda não havia o Passaporte de Alegria e cada atração custava Cr$ 3.  Hoje, o Passaporte da Alegria custa R$ 57.

O parque chegou a ter mais de cem atrações, reduzidas para 37 neste domingo de fechamento. Idealizado pelo escritório de arquitetura Grocce Alfalo & Gasperini, o parque ocupa desde a reforma de 2003, 85 mil m² às margens do rio Tietê, mas já chegou a ter 110 mil m² na década de 1980.

O evento que sempre atraiu grande quantidade de público foi as Noites do Terror, inauguradas em agosto de 1988, com Zé do Caixão e seus monstros que assustam os frequentadores. O mesmo acontece no tenebroso Castelo dos Horrores, existente até o fim do parque.

Um dia histórico para o Playcenter foi o 12 de outubro de 1982, quando o palhaço Bozo foi ao parque, que recebeu 60 mil visitantes, seu recorde em um dia. Outro visitante ilustre foi Michael Jackson, que fechou o parque só para ele e seus convidados em 1993, ano em que se apresentou no Brasil.

Em 1977, King Kong também visitou o parque, com a atriz Jessica Lange, causando furor no público. Outro frenesi se deu com as visitas da baleia Orca e do golfinho Flipper, na década de 1980, e os memoráveis shows do Menudo e de Roberto Carlos.

Novo parque será só para crianças e seus pais

Os proprietários do Grupo Playcenter prometem no lugar do parque um centro de diversões destinado às crianças e seus pais, com previsão de inauguração no primeiro semestre de 2013. Saem de cena atrações de muita vertigem para dar espaço a brinquedos mais tranquilos.

A previsão de investimento na reforma é de R$ 40 milhões. O novo parque terá capacidade limitada a um máximo de 4.500 visitantes por dia, buscando acabar com as velhas filas nos brinquedos típicas do Playcenter. Filas estas que, durante quase quatro décadas, foram espaço de surgimento de novas amizades na cidade.

Acidentes também fazem parte da história do Playcenter

Apesar de muito querido pela população jovem de São Paulo, o Playcenter também foi palco de acidentes. O mais recente foi no dia 3 de abril de 2011, quando as travas do brinquedo Double Schock se soltaram, arremessando 32 pessoas e deixando várias feridas. Sete meses antes, em setembro de 2010, dois trenzinhos da montanha-russa Looping Star se chocaram, deixando 16 feridos.

Em janeiro de 1995, um garoto de 11 anos despencou do Space Loop e sofreu traumatismo craniano. Em março de 1980, um carrinho da montanha-russa descarrilou e quatro adolescentes se feriram.

Contudo, mesmo com tais acidentes, o Playcenter nunca deixou de atrair os adolescentes paulistanos, ávidos para sentir frio na barriga. Tais histórias sempre tornaram a ida ao parque ainda mais cheia de adrenalina.

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