segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Com tela no Louvre, artista de Venceslau se dedica para viver da arte

Ainda criança, aos 10 anos de idade e com sua primeira tela pronta, ela disse aos seus pais: “Eu quero ser pintora quando crescer”. Eles logo responderam que pintura era hobby, e não uma profissão. E ela, sem mesmo saber ainda o significado da palavra “hobby”, teimou em seu sonho e hoje, aos 23 anos de idade, a artista Anny Carolina de Carvalho tem em seu currículo uma tela exposta no Museu do Louvre, um dos maiores e mais famosos do mundo, localizado em Paris.
Natural de Presidente Venceslau, a artista conta como tudo começou. Desde criança gostava das aulas de artes da escola e sempre quis fazer um curso de pintura. Aos 10 anos, a oportunidade surgiu. Ela foi matriculada em aulas com a artista Jussara Nantes, a qual considera até hoje sua maior influência. “Ela sempre me deixou muito livre para escolher o que eu gostaria de pintar, não seguia nenhum padrão, então eu não era obrigada a pintar algo que não me agradava, e isso deixava as aulas muito mais interessantes”, conta Anny.
Em 2007, a professora, que era de Venceslau, foi para São Paulo. Anny se matriculou no curso de Comunicação Social e não procurou mais as aulas de pintura. No entanto, em menos de um ano de faculdade, a jovem resolveu retomar o seu sonho de criança e prestar o curso de artes visuais, em uma universidade em Londrina.
Na cidade, ela foi em busca de pessoas que pudessem ajudá-la. Como Anny mesmo narra, ela procurou a dona de uma das galerias mais importantes e antigas de Londrina. A caminho do local, ela carregava um sonho de trabalhar com arte e dois quadros de borboletas embaixo dos braços. “Se não fosse ela, dona Ana Maria Barreto, eu estaria ainda muito longe de qualquer reconhecimento. Ela acreditou em mim e hoje, junto à minha família, ela é a minha maior incentivadora”, diz.
No entanto, viver da venda de quadros ainda não é a realidade da artista, mas grandes passos já foram dados por ela. “Por não ser uma necessidade básica do ser humano, como alimentação ou saúde, a arte acaba sendo deixada para depois. Acredito que ainda estou caminhando para conquistar meu espaço nesse cenário incrível. Dei um grande passo com a exposição no Louvre, mas há uma longa caminhada pela frente”, pondera.
 
Exposição no Louvre

O quadro selecionado para o Louvre chama-se “A busca do amor”, que revela uma situação absolutamente pessoal da artista. "Devido ao envolvimento com um rapaz, que tive na faculdade e que não deu certo naquela época, resolvi seguir em frente, em busca de um novo amor e unindo tudo isso surgiu o quadro. Era quase como um pedido que aquelas pequenas borboletas abrissem o caminho e mostrasse o amor", revela.
O trabalho trata-se de um acrílico sobre tela onde borboletas cintilantes dançam sobre um fundo que traz versos de Vinícius de Moraes e Luís de Camões. “O que ele significava para mim antes mesmo da exposição continua sendo o principal motivo para considerá-lo importante”, aponta Anny.
 
Em Paris, sem falar francês

Anny conta um episódio engraçado de quando esteve em Paris. Após a abertura da exposição no Louvre, os artistas e curadores da Delegação Brasileira e seus acompanhantes foram para um restaurante jantar e comemorar.
No local, cada um fez seu pedido. No entanto, após uma confusão do garçom, o prato da crítica de arte Sonia Skroski, responsável pela Off Bienal e outras importantes exposições, foi para Anny, que não percebeu a confusão e começou a comer. “Depois de um bom tempo chegou o meu e foi então que percebemos que tinham sido trocados os pratos”, diverte-se ao contar..
A artista, sem saber o que fazer, perguntou se Sonia gostaria de trocar os pratos. A crítica aceitou e foi esse o assunto bem humorado até o final da confraternização. “Sempre tinha um que falava ‘Quem é mesmo que nunca vai participar da Off Bienal porque comeu o prato da Sonia?’”, recorda.
 
Para o futuro

A artista, que tem projetos e planos escritos em diários e agendas desde os cinco anos de idade, começa este ano sem ter seus sonhos no papel, mas admite: eles ainda existem.
Por enquanto, Anny pretende dar continuidade aos estudos e fazer uma especialização, além de outros cursos na área. E, claro, pintar ainda mais do que no ano passado.
“Não sei se é o maior, mas o meu grande sonho profissional hoje é ter um bom ateliê e a cabeça em paz para produzir como quando eu tinha 10 anos”, planeja.


Gabriela Correia
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