TRAGÉDIA EM FAMÍLIA
Um lavrador de 36 anos, preso em flagrante sob a acusação de ter estuprado a própria filha, de 13, morreu na tarde desta terça-feira, 11, após suposto enforcamento com uma camiseta em uma cela na Delegacia da Polícia Civil de Pirapozinho. A polícia trata o caso como suicídio. Segundo o boletim de ocorrência, o homem foi colocado no compartimento para presos que estão sendo submetidos à lavratura da prisão em flagrante, entre grades, conhecido como “corró”. Ainda conforme o BO, os policiais civis responsáveis pelo encaminhamento, antes de colocarem o preso no local, fizeram a revista e retiraram qualquer objeto, como cinto e cadarços de sapatos. Além disso, a pedido do preso, foi solicitada a presença de seu advogado, “que a tudo acompanhou”. No momento em que iriam ser colhidos o seu interrogatório e suas assinaturas em peças, como auto de prisão em flagrante, impressões digitais e nota de culpa, os policiais constataram que o lavrador, usando a própria camiseta, “subiu na cela e, após fazer um nó, circulou o pescoço e projetou o seu corpo, ficando em suspensão completa”. O BO conta que o lavrador “foi localizado desfalecendo” e que “imediatamente os policiais fizeram o levantamento da vítima” e ainda “cortaram a camiseta”. Também de acordo com o relato do BO, policiais militares que estavam no local prestaram auxílio. Eles lançaram mão de manobras de ressuscitação, mas o lavrador apresentou uma respiração fraca. Assim, o homem foi socorrido ao pronto-socorro local, onde também tentaram manobras, mas sem êxito, e foi constatada a morte. Segundo o BO, tudo foi acompanhado pelo advogado e pelos policiais civis e militares. A camiseta foi retirada do pescoço do lavrador pelo médico plantonista. Imediatamente, o local foi preservado e a perícia técnica, requisitada. Também foram comunicadas a Delegacia Seccional e a Promotoria de Justiça.
Estupro
Segundo o boletim de ocorrência, a mãe e a irmã da menina de 13 anos saíram para trabalhar por volta das 6 horas. Ambas trabalhadoras rurais, a mãe tem 31 anos e a irmã, 16. Meia hora depois, o pai chegou em sua residência, em Pirapozinho, e a convidou para ir a um sítio na própria cidade. A garota disse ao pai que não iria, mas ele bruscamente falou que precisava conversar com a filha. Com isso, temerosa, a menina entrou no carro e saiu com seu pai. No caminho, em uma estrada de chão, o pai parou o carro e começou a procurar um tapete. Porém, ele estava muito nervoso e não encontrava, saía e entrava no carro. Em seguida, ele pediu para a menina ir para o banco de trás. Conforme o BO, o pai pediu para a filha tirar a roupa, o que foi negado em princípio. No entanto, o pai prometeu que se ela mantivesse atos sexuais com ele ganharia vários presentes, como sapatos e roupas. Ele chegou a prometer o carro, segundo o BO. Também complementou que a deixaria como uma princesa, mas ela teria de arrumar um namorado, pois assim ele estaria livre. Em seguida, o lavrador começou a tirar a roupa da garota, que a todo momento pedia para seu pai parar com aquilo. Porém, ele a ignorava e com muito esforço tirou a roupa da filha. O BO registrado na Polícia Civil relata que “de forma muito agressiva” o lavrador “penetrou o pênis na vagina da vítima”. A menina gritava e pedia para seu pai parar, mas ele continuava, ignorando-a. A filha chorava muito e estava nervosa. Diante da proporção da força do pai e da filha, o lavrador obteve a relação sexual por volta de cinco minutos. Ao terminar, falou à vítima que, se ela contasse o caso à polícia, iria matá-la. Após o ato, eles voltaram a sua casa, em Pirapozinho. O pai parou o carro e a vítima desceu. Logo em seguida, o homem tomou rumo ignorado. Cerca de dez minutos depois, a mãe e a irmã da garota chegaram ao local. Como a menina estava chorando muito, a mãe perguntou o que tinha acontecido. Com isso, ela relatou todos os fatos a sua mãe.
Desde os 11 anos...
A menina contou à Polícia Civil que não foi a primeira vez que sofreu abuso de seu pai.Ela relatou que é abusada desde seus 11 anos, mas nunca contou a sua mãe, devido às ameaças que seu pai fazia. Porém, nesta terça-feira, 11, ela não aguentou tanta dor e humilhação e “decidiu contar toda a verdade”. Nas outras vezes, o pai também manteve relação sexual com a garota. Por fim, conforme consta no BO, o pai, como das outras vezes, não ejaculou na filha, já que tirara o pênis de sua vagina. Durante as declarações, a mãe relatou que o pai manteve relação sexual do lado de fora do veículo, fato este contrário à história contada pela filha. A menina contou que seu pai tentou colocar o tapete do lado de fora, mas o mato estava alto, fazendo com que a vítima fosse até o banco de trás do veículo e lá mantivesse a relação sexual.
Prisão
Diante dos fatos relatados, policiais civis de Pirapozinho abordaram o acusado de estupro próximo a uma oficina, na Avenida Armando Carrera, na tarde desta terça-feira, 11, e o conduziram até a delegacia. A polícia determinou a realização do auto de prisão em flagrante delito pelo crime do artigo 217-A do Código Penal, que é o estupro de vulnerável. Segundo o BO, o lavrador já havia sido indiciado anteriormente pela prática do mesmo delito, quando se relacionou com as duas filhas. Ciente da detenção, o lavrador foi inquirido informalmente e também foram colhidos dados. A todo momento, segundo o BO, ele demonstrou ser pessoa violenta e a família dizia temê-lo. Assim, durante a colheita de provas – em especial, declarações da vítima e de testemunhas –, o lavrador foi colocado no chamado “corró” da delegacia.
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